Projeto SV4D leva internet a comunidades isoladas

29.10.2018

Vivemos uma era, na qual a internet é uma ferramenta fundamental para o nosso cotidiano. Podemos fazer compras sem sair de casa, utilizar inúmeros aplicativos que facilitam a realização de tarefas diárias, bem como ter acesso a um mundo de informações em tempo real com apenas um clique. Mas é difícil imaginar que ainda hoje existam regiões com pouca, ou “zero conexão” à internet. No Brasil, por exemplo, cerca de 39% dos domicílios ainda não tem nenhuma forma de acesso à rede digital. Uma pesquisa realizada pelo Comitê gestor da Internet (CGI.br) - e divulgada no dia 24 de julho deste ano, apontou que cerca de 27 milhões de residências brasileiras não possuem nenhuma conexão. Um outro levantamento realizado em 2017 pelo IPEA mostrou que 2325 municípios brasileiros não possuíam fibra para internet banda larga.

Foto: Fraunofer Portugal

Assim como o Brasil, outros países em desenvolvimento enfrentam essa questão. Pensando nesse desafio, o Fraunhofer AICOS, em Portugal, trabalha no projeto SD4V, cujo objetivo é interligar um mínimo de 20 laboratórios em 15 localidades rurais dos 9 países da Comunidade de Língua Portuguesa (Angola, Cabo Verde, Brasil, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor Leste) ampliando o acesso à banda Larga e TIC para comunidades distantes.

O SV4D se concentra no fornecimento de acesso de banda larga a essas comunidades por meio da infraestrutura Comm4Dev. Essa, por sua vez, amplia o estado da arte em conectividade em regiões remotas, adaptando-as às características das tecnologias existentes nas comunidades alvo e reduzindo sua complexidade em relação à utilização e manutenção, tornando-as autoconfiguráveis, resilientes, robustas e autônomas (ou seja, alimentadas por energia solar e com gerenciamento remoto). A arquitetura SV4D também inclui uma estrutura de software para conectividade ocasional que considera o conceito de rede tolerante a atrasos e interrupções (DTN: Delay / Disruption Tolerant Networking). Tal estrutura tem como alvo, características inerentes às comunidades isoladas (por exemplo, conectividade intermitente e falta de caminhos de ponta a ponta), explorando o paradigma Store-Carry-Forward que "simula" a noção de conectividade permanente.

Um Piloto do projeto já foi implementado com sucesso em Moçambique. Durante uma jornada de cinco semanas, os pesquisadores do AICOS, Waldir Moreira, André Pereira, Eduardo Pereira e Carlos Resende, deram continuidade ao esforço de promover o acesso universal às comunicações de banda larga e às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Graças ao trabalho doAICOS, tanto em Mocuba, como no Alto Molocue, ambos distritos da província de Zambézia em Moçambique, existem agora centenas de pessoas com acesso à internet gratuita.

No projeto SV4D, a equipe implantou uma coleção de hardware e software adaptados para atender às necessidades dessas comunidades desatendidas, adaptando a tecnologia existente para conectar cidadãos, reduzindo os custos de implantação por meio de integração flexível e interoperável em redes existentes e usando uma estrutura que simula uma conectividade permanente, permitindo a troca de dados entre dispositivos móveis até que a informação chegue a uma área conectada onde possa ser encaminhada ao destino desejado.

Em Mocuba, existe agora acesso à Internet na Faculdade de Engenharia Agrícola e Florestal da Universidade do Zambeze, na Escola Secundária local, no Hospital Distrital, no Instituto Agrário, bem como nos edifícios Distritais e Municipais. Em Alto Molocue há também diversos lugares onde os cidadãos agora estão conectados, a saber, na Escola Secundária Pista Nova, no Instituto de Formação de Professores, no mercado local e no prédio do Conselho Municipal.

A equipe também aproveitou a oportunidade para se reunir com o governo local, tendo se reunido com a presidente do Município de Mocuba, Beatriz Ferreira Gulamo, para apresentar o projeto e seus objetivos.

Coordenado pelo Fraunhofer AICOS, este projeto conta com o apoio da FSAU - Fundo Nacional de Serviço de Acesso Universal da INCM e da ARCTEL-CPLP - Associação de Reguladores de Comunicações e Telecomunicações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

No Brasil, uma possível iniciativa semelhante ainda está em negociação, mas existe uma expectativa de que essa tecnologia também possa ser implementada no país.